Tenente-coronel acusado de matar esposa PM está em presídio militar onde já passaram Mizael Bispo, Cabo Bruno e Rambo

  • 25/03/2026
(Foto: Reprodução)
Tentente-coronel é recebido com abraço no Presídio Militar Romão Gomes, em SP O tenente-coronel Geraldo Neto está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, desde quarta-feira (18), tornando-se o mais recente detento do complexo que historicamente recebeu presos que marcaram a história criminal do país, como os então policiais militares Mizael Bispo, Cabo Bruno e Rambo (saiba mais abaixo). Neto é acusado de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves, após dar um tiro na cabeça dela dentro do apartamento do casal no Brás, no Centro da capital, em 18 de fevereiro. Segundo o Ministério Público (MP), a soldado queria se separar e o marido não aceitava. O oficial nega os crimes e alega que a mulher se matou após ele pedir o divórcio. O Romão Gomes é a única unidade prisional criada, em 1957, exclusivamente para abrigar agentes da Polícia Militar (PM) acusados de crimes militares. Como Neto é tenente-coronel ainda é da corporação e foi acusado de matar uma soldado, ele foi para lá. Geraldo Neto (esquerda) foi para mesma prisão militar onde já passaram (na sequência) Mizael Bispo, Cabo Bruno e Rambo Reprodução Vídeo obtido pela TV Globo mostra o oficial recebendo abraços de outro policial militar na chegada (veja acima). A PM ainda não comentou oficialmente se essa cordialidade é praxe na recepção dos novos presos. O g1 entrou em contato com a corporação na sexta-feira (20) para saber qual é a estrutura do presídio, quantos policiais estão detidos e por quais crimes, quantos níveis prisionais existem atualmente na unidade e como é rotina do tenente-coronel recém-chegado. A Polícia Militar não havia respondido os questionamentos até a última atualização desta reportagem. Reportagem do Fantástico, em 2010, mostrou que o homicídio foi o crime que mais levou policiais militares ao Romão. Ao longo dos anos, a unidade abrigou detentos emblemáticos: Mizael Bispo Mércia Nakashima foi morta pelo ex-namorado Mizael Bispo, segundo o MP Reprodução/Arquivo pessoal/Juliana Cardilli/g1 Mizael Bispo, o então advogado e soldado da PM aposentado foi acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima por não aceitar o fim do relacionamento. Ele sempre negou o crime. O caso ocorreu em 2010 em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, onde ela foi baleada e afogada. Após o assassinato, ele chegou a ficar preso temporariamente e preventivamente no Romão. Justiça concede regime aberto a Mizael Bispo Em 2013 acabou condenado pela Justiça a mais de 20 anos de prisão pelo assassinato dela. E em 2015 foi transferido para a Penitenciária de Tremembé, conhecida por receber presos de casos famosos. Em 2023, ele progrediu de regime e foi para o aberto. Entre 2022 e 2025, ele foi expulso da Polícia Militar e da advocacia pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Cabo Bruno Cabo Bruno se tornou Pastor Bruno. Depois de solto foi assassinado a tiros em Pindamonhangaba, interior de SP Reprodução/Arquivo pessoal Cabo Bruno, como ficou conhecido o cabo da PM Florisvaldo de Oliveira, foi acusado de comandar o 'esquadrão da morte' _grupo criminoso de milicianos formado por policiais e ex-policiais que, após o serviço na corporação, executavam a tiros suspeitos de crimes entre 1970 e 1980 em São Paulo e na região metropolitana. Após ser preso, Cabo Bruno foi julgado nos anos seguintes por mais de 50 homicídios. Foi condenado, em diversos júris, a mais de 100 anos de prisão por parte dos crimes. Ele chegou a confessar alguns dos assassinatos. Cabo Bruno é assassinado um mês após sair da prisão em SP Cumpriu o início da pena no Romão, onde conseguiu fugir três vezes, entre 1983 e 1991, até ser recapturado em todas as oportunidades. Depois disso, mais duas fugas teriam ocorrido no presídio envolvendo outros presos: em 2010 e em 2015 _não há confirmação se eles foram encontrados. Depois deixou o prisão militar quando foi expulso da corporação. Em 2012 seguiu para a prisão em Tremembé, onde se tornou o pastor Bruno. Ficou 27 anos preso até receber o indulto presidencial de Dilma Roussef em 2011. Com o perdão do restante da pena, ele solto, mas em 2012 acabou executado a tiros na porta de casa quando voltava de um culto evangélico em Pindamonhangaba, interior do estado. Quem o matou nunca foi identificado. Rambo Rambo (ao centro) segura pescoço de moradores durante blitz violenta na Favela Naval em 1997 em Diadema. Cinegrafista amador flagrou abuso Reprodução/JN Rambo, apelido de Otávio Lourenço Gambra, um dos PMs fardados flagrados em 1997 por um cinegrafista amador executando, extorquindo dinheiro e agredindo moradores e suspeitos de tráfico de drogas durante blitze na Favela Naval, em Diadema, Grande São Paulo. Duas pessoas acabaram mortas, umas delas foi o conferente Mário José Josino _baleada por Rambo. Favela Naval (1997) As imagens levaram à identificação e prisão dos agentes, incluindo Rambo, que aparecia usando boné da corporação para trás e era o mais violento do grupo. Em 2000, apesar de negar o crime, ele foi condenado inicialmente a 47 anos de prisão pelo homicídio. Ficou preso preventivamente e cumpriu parte da pena no Romão. Saiu em 2006 por decisão da Justiça após progredir para o regime aberto. 22 horas na cela aberta Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes O g1 visitou o Romão em 2013, quando publicou reportagem sobre os presos famosos que passaram pelo presídio e como era a rotina no local. À época, a direção do presídio organizava os internos por quatro estágios identificados por cores (vermelho, amarelo, verde e azul). Cada estágio determina onde o preso fica, quanto circula, quais atividades pode realizar e o nível de disciplina exigido. Não havia um prazo fixo para permanência em cada estágio: a progressão depende da conduta, avaliação disciplinar, adaptação às regras do presídio e exames internos, de modo que a duração varia de um interno para outro. Além disso, a unidade abrigava homens e mulheres PMs, embora as regras de visitas íntimas sejam restritas somente aos presos homens. Em tese, o tenente-coronel Geraldo Neto está no primeiro estágio, o vermelho, onde teria de ficar 22 horas diárias dentro de uma cela com outros presos. Podendo sair de lá somente por duas horas para o banho de sol. Além de ser obrigado a cumprir outras regras internas (veja abaixo quais são). 1º estágio - Vermelho (ingresso/adaptação) Em 2013, g1 visitou Romão Gomes e registrou presença de PMs presos, entre eles, Mizael Bispo (à direita), que usava crachá vermelho Arquivo/Raul Zito/g1 Identificação: crachá vermelho Rotina: fase mais rígida, usada para triagem e adaptação às regras do presídio. Os presos permanecem até 22 horas por dia em cela, com cerca de 2 horas de banho de sol. A circulação é altamente limitada, saídas só para atendimento jurídico e banho de sol. Duração: não há prazo padrão; a progressão depende de bom comportamento e avaliação disciplinar. 2º estágio - Amarelo PMs presos jogam xadrez no Romão Gomes em foto de 2013, quando g1 visitou unidade Arquivo/Raul Zito/g1 Identificação: crachá amarelo Rotina: regras mais brandas; o preso pode frequentar áreas coletivas sob supervisão e participar de atividades monitoradas, como leitura, jogos, atendimentos e pequenas tarefas internas. Duração: variável, conforme conduta e avaliações internas para progressão ao estágio seguinte. 3º estágio - Verde Em foto de 2013, PM preso passa por atendimento psicológico no Romão; ao lado, agentes detidos fazem trabalhos manuais para ajudar na redução da pena Arquivo/Raul Zito/g1 Identificação: crachá verde Rotina: acesso ampliado a espaços coletivos e alojamentos substituem celas individuais em alguns pavilhões. Internos podem usar quadras esportivas, academia e cumprir trabalhos internos que auxiliam na progressão. Duração: não há tempo fixo; a permanência depende de disciplina, adaptação e cumprimento das regras internas. 4º estágio (regime semiaberto) - Azul PM preso cuida da biblioteca do Romão Gomes Arquivo/Raul Zito/g1 Identificação: crachá azul Rotina: corresponde ao semiaberto dentro do presídio. Permite pátios diários, quadra poliesportiva, atividades laborais e educacionais, em pavilhões com alojamentos mais abertos e monitoramento contínuo. Duração: segue as regras do regime semiaberto; a permanência depende do cumprimento da disciplina e das condições processuais ou de execução penal. Primeiro oficial preso por feminicídio Tenente-coronel Geraldo Neto (à direita) está preso no Romão Gomes (ao centro) acusado de matar a soldado Gisele Alves, sua esposa Reprodução/Fabrício Lobel/TV Globo O tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, é o primeiro oficial da Polícia Militar do estado de São Paulo preso por feminicídio desde 2015, data da criação da lei. A Justiça decretou sua prisão preventiva e o tornou réu no processo que apura a morte de Gisele. Além do feminicídio (assassinato de mulher por razões de gênero, como violência doméstica ou familiar, ou menosprezo à condição feminina), responde por fraude processual (por supostamente manipular a cena do crime para simular suicídio). A Polícia Civil e o Ministério Público, amparados por laudos periciais, concluíram que oficial segurou a cabeça da vítima antes do disparo, afastando a hipótese de suicídio. E depois teria alterado o local do crime para simular que ela se matou. Mensagens extraídas de seu celular mostram controle financeiro, imposição sexual, tentativas de coagir a vítima e, em diversos trechos, o oficial se autodenominava “macho alfa”, exigindo que a esposa se comportasse como uma “fêmea beta”. Essas evidências que, segundo o MP, configuram um padrão de violência doméstica. Além disso, vídeos gravados pelas câmeras corporais dos PMs que atenderam a ocorrência colocaram em xeque a versão de suicídio apresentada por Neto. Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio LEIA TAMBÉM: Mensagens indicam que tenente-coronel 'enfiou a mão na cara' da esposa PM 13 dias antes da morte em SP Tenente-coronel humilhava e chamava esposa morta de 'burra', dizem mensagens: 'lugar de mulher é em casa, cuidando do marido' 13 pontos e fotos da perícia que embasaram prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP VÍDEO mostra policiais indo limpar apartamento depois de morte

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/25/tenente-coronel-acusado-de-matar-esposa-pm-esta-em-presidio-militar-onde-ja-passaram-mizael-bispo-cabo-bruno-e-rambo.ghtml


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