Tanajura chega a custar R$ 300 e vira hambúrguer, pizza e petisco no Agreste de Pernambuco
05/03/2026
(Foto: Reprodução) Mais de 100 kg de tanajuras para venda e preparo em bar, em Altinho
O quilo da tanajura, inseto tradicionalmente consumido no interior de Pernambuco, está sendo vendido por até R$ 300 no Agreste do estado. A iguaria, que aparece apenas em períodos específicos do ano, tem sido comercializada em diferentes formatos e até virou ingrediente de pratos como hambúrguer e pizza.
Em Altinho, no Agreste, um bar chamou atenção após recolher 114 kg do inseto durante o período de aparição. No local, a tanajura é servida tanto na forma tradicional quanto em receitas menos comuns, como hambúrguer e pizza (veja vídeo acima).
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O alimento ganhou valor elevado justamente por surgir apenas em determinadas épocas do ano. No Parque 18 de Maio, em Caruaru, no Agreste, 1 kg de tanajura está sendo comercializado entre R$ 250 e R$ 300.
Nas redes sociais, vendedores da cidade também anunciam o produto em recipientes de diferentes tamanhos. Garrafas de dois litros têm sido vendidas por cerca de R$ 120, enquanto recipientes menores, de 500 mililitros, custam entre R$ 50 e R$ 60.
Pizza, hambúrguer, farofa e vinagrete
À esquerda, tanajuras acompanhadas de farofa e vinagrete; à direita, hambúrguer de tanajura
Givanilson da Silva
Em Altinho, o bar que recolheu mais de 100 kg dos insetos, tem utilizado a iguaria em diferentes receitas. Além da tradicional tanajura frita acompanhada de farofa ou vinagrete, o estabelecimento passou a oferecer pratos como hambúrguer e pizza feitos com o inseto, algo ainda pouco comum mesmo em regiões onde o consumo é tradicional.
O dono do local, Givanilson da Silva, conta que ele, familiares e amigos coletam as tanajuras nas ruas durante o período em que elas aparecem. Depois da coleta, o alimento é separado em porções e congelado para ser vendido ao longo do ano.
“Naquele vídeo tinha 114 quilos. A gente vende no boteco o ano todo. No primeiro mês vendemos um pouco para quem quer levar garrafa e o restante fica para os petiscos”, afirmou.
Segundo ele, os pratos mais procurados no bar são o hambúrguer de tanajura e a porção frita acompanhada de farinha e vinagrete. No estabelecimento, o hambúrguer custa R$ 25 e a pizza é vendida por R$ 75. Já uma garrafa de um litro com o inseto chega a ser comercializada por R$ 150.
Pizza de tanajura servida em 'boteco", em Altinho, Agreste de Pernambuco
Givanilson da Silva
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Por que as tanajuras “caem”?
Tanajuras saindo de formigueiro na Zona Rural de Altinho
No interior do estado, é comum ouvir a expressão de que está “caindo” tanajura quando os insetos aparecem nas ruas ou em áreas rurais. Na prática, o fenômeno ocorre quando elas saem dos formigueiros.
As tanajuras, também chamadas de formigas-rainhas das saúvas, costumam sair dos formigueiros nessa época do ano para se reproduzir.
Segundo biólogos ouvidos pelo g1, o fenômeno está ligado ao período reprodutivo das formigas e costuma ocorrer após chuvas e ventos fortes. Nessas condições, as tanajuras saem dos formigueiros para realizar o chamado voo nupcial, etapa fundamental para a formação de novas colônias.
O biólogo Alexandre Nunes explica que a tanajura é a fêmea da formiga. Durante o voo, ela é fecundada pelo macho, conhecido popularmente como “sibito”. Depois disso, pousa no solo, perde as asas e procura um local adequado para cavar e iniciar um novo formigueiro.
“Com as chuvas, o solo fica mais fofo e facilita a escavação. No abdômen da tanajura existem milhares de ovos que darão origem a um novo formigueiro”, explicou o biólogo.
Ele também afirmou que o consumo do inseto é seguro e que a Organização das Nações Unidas recomenda a ingestão de insetos como fonte de proteína.
Valor nutricional
Além do valor cultural, a tanajura também tem destaque nutricional. A nutricionista Nathiane Magalhães explica que o alimento é rico em proteínas e gorduras.
De acordo com ela, 100 gramas do inseto possuem entre 430 e 480 calorias, cerca de 35 a 42 gramas de proteína e entre 30 e 35 gramas de gordura.
Apesar de nutritiva, a especialista recomenda atenção ao consumo excessivo.
“A grande questão são as combinações. Muitas pessoas comem com farinha, o que aumenta bastante o teor calórico da refeição. Também é importante observar a forma de preparo, que às vezes leva manteiga ou margarina”, afirmou.
A nutricionista destaca que o consumo pode ser considerado seguro por se tratar de um alimento sazonal, mas alerta que pessoas com alergia a crustáceos devem ter cuidado. Segundo ela, as proteínas presentes nos insetos podem ser semelhantes e provocar reações em pessoas sensíveis.
No interior de Pernambuco, o consumo da tanajura é uma tradição transmitida entre gerações. Em muitas casas, o preparo mais comum é fritar o inseto e servi-lo com farinha, em uma receita simples bastante conhecida na região.