Instalação de postes em praia 'queridinha' de SC gera protestos; MPF pede informações sobre licença ambiental

  • 25/06/2026
(Foto: Reprodução)
Moradores protestam contra instalação de postes em praia turística de Florianópolis Moradores do Campeche, uma das praias mais famosas do Sul da Ilha, em Florianópolis, fizeram um protesto contra a instalação de postes na areia. Eles temem os efeitos para a flora e fauna local e questionam se há autorização para o trabalho, já que se trata de uma Área de Preservação Permanente (APP). O Ministério Público Federal pediu informações sobre licença ambiental à prefeitura de Florianópolis. O município afirma que a empresa responsável pela instalação dos equipamentos "já está trabalhando nas atualizações necessárias das licenças". ➡️ Especialistas ouvidos pelo g1 citam que a iluminação contínua pode, por exemplo, interferir no desenvolvimento da vegetação de restinga, além de provocar mudanças nos padrões de deslocamento, alimentação e reprodução de aves migratórias (veja mais abaixo). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Desde sábado (20), quando os trabalhos começaram, já foram instalados 13 postes na orla. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) disse em nota que não há registro de pedido de autorização para os trabalhos. Também afirmou que a instalação de postes de iluminação e outras estruturas físicas em áreas de praia depende de autorização prévia da pasta, além da obtenção das demais licenças ambientais e urbanísticas cabíveis (leia a nota na íntegra abaixo). O Ministério Público Federal informou, em nota, que atua no caso e pediu à Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) que embargue a obra caso seja constatada a ausência de licença ambiental. "Caso não haja estudos prévios e autorização da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o MPF ajuizará ação civil pública para retirada dos postes", declarou (leia a nota na íntegra abaixo). Postes foram instalados na areia na praia do Campeche, em Florianópolis Reprodução/NSC TV Moradores questionam Moradores questionam a instalação. "A gente se sente bem ameaçado porque a gente já vem lutando, desde 1984 a associação existe, para preservação do nosso ambiente aqui", declarou Jussemir Junior, presidente da Associação de Surfe do Campeche. O presidente da Associação de Moradores do bairro, Eduardo Rocha, diz que o local não é frequentado à noite a ponto de precisar das estruturas. "O local onde estão sendo instalados os postes é uma das regiões na qual a restinga está mais preservada da praia do Campeche", declarou. "Esse movimento abre um precedente muito perigoso de urbanização de uma área protegida por lei, sem o devido estudo de impacto ambiental", preocupou-se o presidente da Associação de Moradores. O protesto dos moradores ocorreu na terça-feira (23). Além da questão legal, há preocupação também com a flora e fauna do local. As oceanógrafas Ana Luiza Gandara Martins e Andreoara Deschamps Schimidt explicaram que a área abriga ecossistemas de restinga e dunas costeiras, além de diversas espécies de fauna residentes, incluindo aves, mamíferos, crustáceos, moluscos e insetos. Também constitui área de passagem e alimentação para aves migratórias vindas tanto da Patagônia quanto da América do Norte. "A iluminação artificial noturna em ambientes costeiros naturais é reconhecida pela literatura científica como um fator de alteração ecológica, podendo provocar desorientação da fauna, mudanças nos padrões de deslocamento, alimentação e reprodução, além de aumentar a vulnerabilidade de determinadas espécies à predação", disse Martins. Também há efeitos nas plantas. "A iluminação contínua pode interferir no desenvolvimento da vegetação de restinga e das dunas frontais, uma vez que muitas espécies vegetais dependem dos ciclos naturais de luz e escuridão para regular processos fisiológicos como floração, frutificação, germinação e crescimento". As oceanógrafas também levaram em consideração a previsão climática para o resto do ano. "A possibilidade de ocorrência de um evento El Niño no segundo semestre de 2026 reforça a importância de manter íntegros os mecanismos naturais de proteção costeira, especialmente em áreas ambientalmente sensíveis como as dunas do Campeche". Leia também: Homem morre atropelado enquanto ajudava nora em acidente Casal dividido entre Brasil e Escócia constrói castelo em SC Marqueteiro ligado ao MBL usa expressão racista 'mono' para se referir a Vini Jr. O que diz a Secretaria do Patrimônio da União Confira abaixo a íntegra da nota da Secretaria do Patrimônio da União: A Secretaria do Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, informa que não há registro de pedido de autorização para a instalação de iluminação na faixa de areia da Praia do Campeche, região sul de Florianópolis. A SPU adverte que a instalação de postes de iluminação e demais estruturas físicas em áreas de praia, terrenos de marinha e seus acrescidos depende de autorização prévia da Secretaria, além da obtenção das demais licenças ambientais e urbanísticas cabíveis. O que diz o MPF Leia abaixo a nota do MPF: O MPF está atuando no caso e requereu à FLORAM que embargue a obra, caso seja constatada a ausência de licença ambiental, que envie ao MPF o Estudo de Impacto Ambiental, se houver, e que apresente relatório de fiscalização sobre os danos ambientais verificados. Caso não haja estudos prévios e autorização da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o MPF ajuizará ação civil pública para retirada dos postes. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/06/25/instalacao-postes-praia-florianopolis-gera-protestos.ghtml


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