7 em cada 10 mulheres dizem já ter sofrido assédio em São Paulo, aponta pesquisa

  • 05/03/2026
(Foto: Reprodução)
7 em cada 10 mulheres dizem já ter sofrido assédio em São Paulo, aponta pesquisa Ações que parecem rotineiras, como caminhar na rua, usar ônibus ou metrô e ocupar o espaço público, ainda são vistas como um desafio por muitas mulheres em São Paulo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec aponta que 7 em cada 10 mulheres que vivem na capital paulista já sofreram algum tipo de assédio. O levantamento ouviu 3.500 mulheres em todo o país, sendo 700 na cidade de São Paulo. Segundo o estudo, os episódios ocorrem em diferentes ambientes do cotidiano, como ruas, transporte público, trabalho, bares e restaurantes, dentro de casa e até em transportes por aplicativo. “Posso falar assim pela maioria das mulheres que elas se sentem inseguras, né? Porque hoje em dia a gente tá vulnerável, não tem uma proteção assim específica para mulher”, disse a promotora Gabriela de Oliveira Aparício. Uma em cada cinco vítimas de feminicídio na cidade de SP tinha medida protetiva, segundo pesquisa Ao analisar apenas os dados da capital paulista, o estudo mostra que 54% das entrevistadas disseram já ter sido assediadas na rua. Movimento intenso de passageiros na Estação Luz da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), na região central da cidade de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 04, um dia após a greve da CPTM, Metrô e Sabesp. Após metroviários e ferroviários decidirem encerrar a greve de 24 horas no sistema de transporte sobre trilhos, todas as linhas de metrô e trem estão em operação na capital paulista e na região metropolitana. ROBERTO COSTA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO No transporte público, o problema também aparece com frequência. Mais da metade das mulheres relatou episódios de assédio em ônibus, metrô ou trem. Assédio na rua e no transporte A auxiliar financeira Fabiana Dias Alves descreveu situações vividas em veículos lotados. “Difícil, difícil, é mãos que a gente nem sabe de onde está vindo, empurra-empurra, encoxa-encoxa, é muito difícil.” A cozinheira Leidiane de Brito diz que as ocorrências são frequentes. “É difícil, é complicado. Bem constrangedor. Desse tipo, todo dia, normal. Para a gente é normal.” Quando presenciam situações de assédio, algumas passageiras tentam ajudar quem está sendo vítima. “Eu aviso pra ela, não penso duas vezes, que eu já vi e eu acho muito feio”, afirmou a cozinheira Evaneide da Cruz. Um episódio registrado na terça-feira (4) ilustra a situação. Dentro de um trem da CPTM da Linha 11–Coral, na Zona Leste de São Paulo, uma mulher gravou o momento em que era assediada por um homem. As imagens serviram como prova e o suspeito foi preso por importunação sexual. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), o homem foi liberado após audiência de custódia e vai responder ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares. Rede de apoio Para Zuleica Goulart, coordenadora de mobilização do Instituto Cidades Sustentáveis, os dados mostram que as mulheres ainda não se sentem seguras em espaços públicos. “As mulheres cada vez mais pegando na mão umas das outras. Eu acho que isso é importante para a luta do enfrentamento à violência”, afirmou. A atendente Esther Caetano também defende que quem presencia uma situação de assédio deve intervir. “Acho que tem que ir para cima, meter a colher ali, chamar outras pessoas também. Realmente tá bem complicado.”

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/05/7-em-cada-10-mulheres-dizem-ja-ter-sofrido-assedio-em-sao-paulo-aponta-pesquisa.ghtml


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